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	<title>Opinião Archives - My Nefrologia</title>
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	<title>Opinião Archives - My Nefrologia</title>
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		<title>Cancro do rim: da deteção incidental à estratificação terapêutica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 16:23:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O alerta de Pedro Silvestre Madeira, membro Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), pretende ir além da função renal básica: o cancro do rim representa já 4,4% das neoplasias no adulto, com mais de 1600 novos casos diagnosticados em Portugal apenas em 2022. Embora os avanços na imagiologia permitam hoje deteções mais precoces e tratamentos mais [&#8230;]</p>
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<p>O alerta de <strong>Pedro Silvestre Madeira</strong>, membro Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), pretende ir além da função renal básica: o cancro do rim representa já 4,4% das neoplasias no adulto, com mais de 1600 novos casos diagnosticados em Portugal apenas em 2022. Embora os avanços na imagiologia permitam hoje deteções mais precoces e tratamentos mais eficazes, a verdadeira chave para a sobrevivência reside na prevenção. O controlo da hipertensão, a cessação tabágica e o combate à obesidade surgem como pilares fundamentais para travar uma doença que, apesar de silenciosa, pode ser prevenida com hábitos de vida saudáveis.</p>



<p>É importante relembrar que cuidar dos rins deve ser uma prioridade de todos os dias, pois uma adequada função renal é fundamental para uma boa saúde. </p>



<p>Para prevenir o surgimento de doença renal devemos beber água regularmente, ter uma alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal e de açúcar, bem controlar a tensão arterial e a diabetes. </p>



<p>O rim pode também ser sede de neoplasia, sendo o cancro do rim mais frequente no homem do que na mulher, com um <em>ratio </em>de 2:1, entre os dois sexos. Os casos de cancro do rim correspondem nos adultos a 4,4% das neoplasias. Anualmente a nível mundial são diagnosticados cerca de 435 000 novos casos e é responsável por cerca de 166 000 mortes. Na Europa são diagnosticados cerca de 146 000 novos casos por ano, com cerca de 52 000 mortes por ano. Em Portugal no ano de 2022, foram diagnosticados 1624 novos casos, tendo sido registados 594 óbitos por esta neoplasia. </p>



<p>A idade mediana ao diagnóstico é de 65 anos, e os principais fatores de risco conhecidos para este tumor são o tabaco, a obesidade e a hipertensão arterial. </p>



<p>Depois de mais de duas décadas de aumento das taxas, as tendências de incidência de cancro do rim, a nível global, têm mostrado sinais de planalto nos últimos anos. Além disso, as taxas de mortalidade em geral nivelaram. Estes padrões epidemiológicos da doença são consistentes com situações cada vez mais comuns de diagnóstico acidental de tumores de pequeno tamanho em fases (estadios) mais precoces; com efeito, a utilização generalizada de técnicas radiológicas não invasivas [por exemplo ecografia e tomografia computorizada (TAC)], permite a deteção frequente de tumores do rim precoces e pequenos, que são potencialmente curáveis, com uma adequada abordagem cirúrgica. </p>



<p>A quase totalidade dos tumores do rim são esporádicos, sendo que apenas 2 a 3% dos casos correspondem a formas de doença comprovadamente hereditária. </p>



<p>Conforme já acima referido, mais de metade dos casos de neoplasia do rim são atualmente detetados incidentalmente, tornando a tríade clássica, do século passado, de dor no flanco, hematúria franca e massa abdominal palpável, cada vez mais rara.</p>



<p>O sinal de alerta mais importante para o diagnóstico desta doença é a hematúria (presença de sangue vivo na urina), que não sendo exclusivo para esta patologia, deve ser sempre adequadamente avaliada e investigada pelo médico assistente, pois pode ser o sintoma inicial de uma neoplasia do foro urológico.</p>



<p>Cerca de 20% dos doentes já têm doença metastática no diagnóstico. Como resultado do aumento da acuidade do diagnóstico, em fases mais precoces da doença, e dos avanços no tratamento cirúrgico e sistémico, a sobrevivência aos 5 anos aumentou de 50,9% em 1975-1977 para 70,6% em 2002-2008.</p>



<p>Nas fases iniciais da doença, quando esta está claramente circunscrita ao rim, a melhor abordagem terapêutica passa na grande maioria dos casos por cirurgia.</p>



<p>Em situações de doença metastizada a melhor abordagem terapêutica passa na grande maioria dos casos pela realização de tratamento sistémico com Terapêuticas alvo (inibidores da tirosina cinase) e / ou imunoterapia, sendo que estes tratamentos poderão ser usados de forma associada ou sequencial, de acordo com as características da doença e a situação clínica de base / estado geral do doente. Avanços terapêuticos recentes permitem em alguns doentes, longas sobrevidas, mesmo em fase metastática, com doentes a realizarem terceiras e quartas linhas de tratamento.</p>



<p>Uma palavra final sobre a prevenção para este cancro que está ao alcance de todos, com a promoção de hábitos de vida saudável e ativa: realização regular de atividade física ajustada à idade e estado geral; cessação tabágica nos fumadores; uso restrito, esporádico e em pequena quantidade de bebidas alcoólicas; controlo adequado do peso com uma dieta equilibrada, rica em fruta e vegetais; consumo reduzido de sal; ingestão hídrica adequada.</p>
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		<title>Doença Renal Crónica: a importância da deteção precoce</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 17:22:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Doença Renal Crónica é muitas vezes silenciosa, mas tem um impacto significativo na saúde pública em Portugal. Neste artigo de opinião, Artur Mendes, especialista em Nefrologia, explica o papel essencial dos rins no organismo e alerta para a elevada prevalência desta doença, que afeta cerca de um em cada dez adultos. O autor destaca [&#8230;]</p>
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<p>A Doença Renal Crónica é muitas vezes silenciosa, mas tem um impacto significativo na saúde pública em Portugal. Neste artigo de opinião,<strong> Artur Mendes</strong>, especialista em Nefrologia, explica o papel essencial dos rins no organismo e alerta para a elevada prevalência desta doença, que afeta cerca de um em cada dez adultos. O autor destaca que fatores como diabetes, hipertensão e obesidade aumentam o risco de desenvolver doença renal e sublinha que, apesar de muitas vezes não apresentar sintomas nas fases iniciais, a DRC pode levar a complicações graves, sobretudo cardiovasculares.</p>



<p>Os rins trabalham silenciosamente todos os dias, filtrando o sangue, eliminando toxinas e excesso de líquidos, controlando a tensão arterial, regulando minerais e contribuindo para a produção de glóbulos vermelhos. Quando começam a falhar, raramente dão sinais visíveis, sendo assim que surge a Doença Renal Crónica (DRC), uma condição lenta, discreta e muitas vezes silenciosa.</p>



<p>Em Portugal, estima-se que cerca de 1 em cada 10 adultos tenha algum grau de DRC, refletindo não só o envelhecimento da população, mas também a elevada prevalência de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade. Entre quem apresenta doença renal avançada, aproximadamente um em cada três doentes tem diabetes, sublinhando a importância de prevenir e controlar estas condições para proteger a saúde renal.</p>



<p>Embora silenciosa, a DRC tem consequências graves. À medida que a função renal diminui, aumenta o risco de complicações, nomeadamente cardiovasculares, como enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca, mesmo em fases iniciais da doença. Falar de rins é, por isso, falar de saúde global.</p>



<p>A boa notícia é que, em muitos casos, a progressão da doença pode ser prevenida ou significativamente retardada através de escolhas simples no dia a dia. Uma alimentação equilibrada, com menor consumo de sal e açúcar, prática regular de exercício físico, controlar o peso e cessação tabágica são medidas fundamentais. O controlo rigoroso da tensão arterial e dos níveis de açúcar no sangue é igualmente decisivo, permitindo reduzir o risco de deterioração renal e complicações cardiovasculares. Nos últimos anos, surgiram também medicamentos que demonstraram atrasar a progressão da DRC, mas devem ser avaliados de forma individualizada pelo médico, tendo em conta a situação específica de cada pessoa.</p>



<p>Saber mais sobre a própria saúde é uma das armas mais eficazes contra a doença renal. Muitas pessoas desconhecem que os rins podem adoecer durante anos sem sintomas. Identificar fatores de risco e realizar exames simples faz toda a diferença: basta uma análise ao sangue para avaliar a função renal e uma análise à urina para detetar perda de proteínas. Para a população geral, estes exames devem ser realizados pelo menos uma vez por ano, enquanto pessoas com maior risco, como diabéticos, hipertensos ou com antecedentes familiares, poderão necessitar de controlos mais frequentes, conforme orientação médica. O diagnóstico precoce permite agir atempadamente, ajustando hábitos de vida e tratamentos, evitando que a doença avance para fases mais graves.</p>



<p>Cuidar dos rins exige uma resposta articulada. Médicos de família e centros de saúde são essenciais na deteção precoce e no acompanhamento de pessoas em risco, enquanto consultas de Nefrologia asseguram avaliação especializada e definição de tratamentos adequados. Nas fases avançadas, as unidades de hemodiálise contribuem não só para o tratamento, mas também para educação e apoio contínuo aos doentes. Equipas multidisciplinares, incluindo médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e assistentes sociais, permitem oferecer cuidados completos e reforçar hábitos diários.</p>



<p>Levar informação para a comunidade é igualmente importante. Escolas, associações, autarquias, bombeiros e outras instituições têm um papel decisivo na promoção de estilos de vida saudáveis e na realização de rastreios, tornando a prevenção mais acessível e eficaz.</p>



<p>Com conhecimento, hábitos saudáveis, diagnóstico precoce, acesso a novos tratamentos e uma rede de cuidados coordenada, é possível reduzir significativamente o impacto da Doença Renal Crónica. Prevenir a DRC é cuidar da saúde hoje e garantir qualidade de vida amanhã.</p>



<p>Artur Mendes é nefrologista no Hospital de Santa Cruz, na ULS Lisboa Ocidental, além de ser diretor médico da DaVita Portugal.</p>
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		<title>Alimentar a saúde dos rins: o papel dos profissionais de Nefrologia no futuro sustentável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 16:38:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para assinalar uma efeméride que impacta a saúde dos rins, Inês Moreira, coordenadora do Serviço de Nutrição da DaVita Portugal, escreve um artigo de opinião que reflete sobre o papel dos nefrologistas na educação alimentar durante a prática clínica diária. Na opinião da profissional, esta é uma responsabilidade coletiva. No dia 16 de outubro comemora-se [&#8230;]</p>
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<p>Para assinalar uma efeméride que impacta a saúde dos rins, <strong>Inês Moreira</strong>, coordenadora do Serviço de Nutrição da DaVita Portugal, escreve um artigo de opinião que reflete sobre o papel dos nefrologistas na educação alimentar durante a prática clínica diária. Na opinião da profissional, esta é uma responsabilidade coletiva.</p>



<p>No dia 16 de outubro comemora-se o Dia Mundial da Alimentação, criado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e, todos os anos, esta iniciativa surge com um tema diferente. Em 2025, um ano importante e comemorativo dos 80 anos desta organização, o tema é “Hand in Hand for Better Foods and a Better Future” (“Mão na Mão por Alimentos Melhores e um Futuro Melhor”). A mensagem é bastante clara: é urgente encontrar soluções práticas e duradouras que respondam aos desafios atuais e contribuam para um mundo com segurança alimentar para todos, hoje e amanhã.</p>



<p>De que forma os profissionais de saúde da área da Nefrologia podem ser parte integrante neste processo? Sem dúvida que a sua função como cuidadores e educadores é fundamental. Em Portugal, estes profissionais são essenciais na construção de um futuro mais saudável e sustentável e os números dizem-nos isso mesmo. Segundo a Anadial, a doença renal crónica (DRC) afeta cerca de 9,8% da população adulta portuguesa e 31,6% desconhece que esta doença pode ser prevenida (dados de 2025). Uma parte significativa dos casos de DRC está associada a fatores como obesidade, diabetes e hipertensão, todos eles fortemente ligados a hábitos alimentares. A ingestão de sal está intimamente ligada a estes fatores de risco, pois em Portugal o consumo diário médio de sal per capita situa-se entre 7,4g e 10,7g (dados de 2020), sendo este valor duas vezes superior à recomendação da Organização Mundial da Saúde.</p>



<p>Estes dados mostram o desafio e, ao mesmo tempo, a oportunidade para estes profissionais poderem atuar. Se transformarmos estes números preocupantes em consciência coletiva, conseguiremos reforçar que cuidar da alimentação é cuidar da saúde e do futuro. Ao informar a população sobre os fatores de risco e integrá-los em programas de literacia em saúde, estes profissionais ajudarão a mudar hábitos alimentares importantes evitando assim a progressão da doença. Enumero, de seguida, algumas medidas que podem ter impacto: incentivar o uso de ervas aromáticas, alho, limão e especiarias em substituição do sal, aumentar o consumo de produtos locais e sazonais e reduzir os ultraprocessados, melhorar a leitura e interpretação associada aos rótulos, mostrar exemplos práticos de escolhas mais saudáveis em supermercados, explicar que a ingestão de líquidos deve ser ajustada às necessidades individuais e fase da doença caso ela exista. Não devemos esquecer que o trabalho conjunto e multidisciplinar nesta área é também fundamental. Só de “mãos dadas” é que conseguiremos mostrar o impacto de pequenas mudanças no dia-a-dia, com o envolvimento dos diferentes profissionais (nefrologista, enfermeiro, nutricionista), dos cuidados primários, instituições sociais, organizações, famílias e restante comunidade.</p>



<p>A alimentação saudável e sustentável não é apenas uma escolha individual, é uma responsabilidade coletiva que afeta todos no planeta. Neste Dia Mundial da Alimentação, reforço o papel fulcral deste setor como agentes de mudança, sendo a ponte entre o conhecimento e a ação. Com a sua responsabilidade, liderança e juntamente com a sociedade, podem transformar hábitos, acelerar o diagnóstico precoce, promover opções menos invasivas de tratamento e semear esperança para as gerações futuras com dignidade e sustentabilidade.</p>
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		<item>
		<title>Literacia em saúde renal: um pilar para a qualidade de vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Sep 2025 11:45:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em artigo de opinião, Abílio Silva, clinical services specialist north and center na DaVita Portugal, dá a conhecer a falta de literacia em saúde na população que realiza hemodiálise e enumera as consequências reais nos prognósticos. Conheça o apelo que surge a propósito do Dia Internacional da Literacia em Saúde. A literacia em saúde é [&#8230;]</p>
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<p>Em artigo de opinião, <strong>Abílio Silva</strong>, <em>clinical services specialist north and center</em> na DaVita Portugal, dá a conhecer a falta de literacia em saúde na população que realiza hemodiálise e enumera as consequências reais nos prognósticos. Conheça o apelo que surge a propósito do Dia Internacional da Literacia em Saúde.</p>



<p>A literacia em saúde é hoje reconhecida como um dos principais fatores que influenciam a forma como cada pessoa gere a sua saúde. No caso da doença renal crónica (DRC), uma condição complexa e silenciosa nas fases iniciais, esta literacia é essencial para garantir uma melhor qualidade de vida.</p>



<p>A Organização Mundial da Saúde define literacia em saúde como a capacidade de aceder, compreender, avaliar e aplicar informação de saúde para tomar decisões informadas. Sabemos hoje, através de diversos estudos, incluindo um recente estudo realizado em clínicas portuguesas de hemodiálise, que a maioria das pessoas com DRC apresenta níveis limitados de literacia em saúde. Neste estudo, 74% dos doentes avaliados apresentavam dificuldades em compreender e utilizar informação relevante sobre a sua condição.</p>



<p>Esta limitação tem consequências reais: dificuldade em seguir os tratamentos, menor adesão à medicação, falhas na prevenção de complicações e maior dependência dos serviços de saúde. Por outro lado, pessoas com maior literacia em saúde demonstram mais autonomia, conseguem comunicar melhor com os profissionais, participam ativamente nas decisões sobre o seu tratamento e lidam de forma mais eficaz com os desafios do dia a dia.</p>



<p>É importante lembrar que melhorar a literacia em saúde não é responsabilidade exclusiva do doente. Cabe aos profissionais de saúde, às instituições e à sociedade como um todo criar condições para que a informação seja clara, acessível e adaptada às necessidades de cada pessoa. Isto pode passar por utilizar linguagem simples nas consultas e materiais informativos; envolver os doentes e famílias na explicação do plano terapêutico; promover sessões educativas regulares nas unidades de hemodiálise; e incentivar a utilização de ferramentas digitais de apoio à saúde.</p>



<p>É fundamental trabalharmos diariamente para colocar a literacia em saúde no centro dos cuidados. Cada doente, quando devidamente informado e apoiado, é capaz de assumir um papel ativo na sua saúde&nbsp; e isso traduz-se em mais segurança, melhores resultados clínicos e mais qualidade de vida.</p>



<p>Neste Dia Internacional da Literacia em Saúde, deixamos um apelo: reforçar a literacia em saúde é investir em pessoas mais capacitadas, em comunidades mais saudáveis e em sistemas de saúde mais sustentáveis.<br></p>
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		<title>&#8220;A diabetes é uma das principais causas de doença renal crónica&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2025 14:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[doença renal crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial do Rim, assinalado a 13 de março, leia o artigo de opinião da autoria de Mónica Reis, coordenadora do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), sobre o impacto da diabetes e da doença renal nos doentes. “A estratégia mais eficaz na redução da doença [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A propósito do Dia Mundial do Rim, assinalado a 13 de março, leia o artigo de opinião da autoria de <strong>Mónica Reis</strong>, coordenadora do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), sobre o impacto da diabetes e da doença renal nos doentes. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“A estratégia mais eficaz na redução da doença renal, além de hábitos de vida saudáveis, é prevenir e controlar, o mais precocemente possível, a diabetes e a tensão arterial”, reflete.</p>
</blockquote>



<p>A diabetes é uma doença crónica que atinge milhares de pessoas. Estima-se que existam cerca de 537 milhões de pessoas com Diabetes no mundo, segundo a Federação Internacional da Diabetes (IDF) e em Portugal, os últimos dados, apontam para 14.1% da população portuguesa com diabetes, o que representa cerca de 1.1 milhão de portugueses.</p>



<p>A problemática da diabetes não se resumo ao facto da pessoa com diabetes ter uma alteração da glicemia mas sim das consequências desta alteração metabólica e de todas as lesões nos diferentes órgãos e sistemas que a hiperglicemia induz.</p>



<p>A hiperglicemia causa alterações nos vasos sanguíneos que conduzem a lesões micro e macrovasculares extensas que são responsáveis pelas principais complicações associadas à Diabetes tais como retinopatia, neuropatia, nefropatia e ainda pelo aumento da incidência de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.</p>



<p>A propósito do Dia Mundial do Rim, a 13 de março, debruçamo-nos um pouco sobre a doença renal crónica (DRC) associada à diabetes ou nefropatia diabética.</p>



<p>A diabetes é uma das principais causas de doença renal crónica, sendo que 30 a 40% da população diabética tem DRC de acordo com dados da IDF. O que para Portugal representa cerca de 385 mil pessoas com Nefropatia Diabética. Segundo a IDF, entre 1990 e 2017 verificou-se um aumento de 74% nos novos casos de DRC associada à Diabetes tipo II.</p>



<p>A prevalência da Nefropatia Diabética aumenta com a idade, com o tempo de duração da Diabetes bem como com o inadequado controle metabólico.</p>



<p>A lesão renal resulta diretamente da hiperglicemia bem como de outras condições associadas à Diabetes como Hipertensão arterial, Dislipidemia ou Tabagismo que exacerbam o declínio da função renal. As pessoas com DRC tem maior risco de doenças cardiovasculares e morte.</p>



<p>Clinicamente a doença manifesta-se por um cansaço de agravamento progressivo, falta de apetite, náuseas ou vómitos, aumento da frequência urinária, sangue na urina, edema periférico e peri-ocular, alteração da tensão arterial e hálito cetónico, já numa fase mais avançada. A primeira manifestação é a perda de albumina na urina.</p>



<p>O diagnóstico deve ser realizado o mais precocemente possível por forma a prevenir o avanço da doença e a reduzir a gravidade da mesma. O diagnóstico é baseado no valor da creatinina sérica e da relação albumina/creatinina (RAC) na urina. A ecografia renal permite avaliar a estrutura do rim que também é afetada pela DRC pelo que também tem um papel diagnóstico.</p>



<p>A DRC divide-se em 5 estadios de gravidade sendo que o estádio terminal carece de substituição da função do rim por diálise ou por transplante de órgão, com custo económicos, sociais e familiares para os doentes e para a comunidade em geral, muito elevados.</p>



<p>Apenas 27 a 53% da população com DRC tem acesso a técnicas de substituição renal (diálise), sendo este acesso muito escasso nos países de baixo desenvolvimento económico, onde a prevalência de DRC é mais elevada. Sendo uma causa de morte frequente nestes países.</p>



<p>As alterações da tensão arterial são consequência e também causa de doença renal crónica pelo que é fundamental o seu controle.</p>



<p>Atualmente existem várias classes de fármacos para o tratamento da diabetes que além de proporcionarem um bom controle da glicemia, têm por si só um efeito benéfico no declínio da função renal. No entanto, apesar de toda a melhoria na terapêutica disponível para a DRC, a melhor forma continua a ser a prevenção.</p>



<p>Assim a estratégia mais eficaz na redução da doença renal, além de hábitos de vida saudáveis, é prevenir e controlar, o mais precocemente possível, a diabetes e a tensão arterial.</p>
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