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	<title>Entrevistas Archives - My Nefrologia</title>
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	<title>Entrevistas Archives - My Nefrologia</title>
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		<title>Inquérito Nacional de Saúde: &#8220;Salvar os rins dos portugueses exige proatividade na prevenção e diagnóstico precoce&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 09:15:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A recente divulgação dos resultados do Inquérito Nacional de Saúde pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) fez acender sinais de alarme na comunidade médica, com particular impacto na Nefrologia nacional. Indicadores como os 25,6% de hipertensos na população e os 57,1% de adultos com excesso de peso ou obesidade desenham um cenário crítico para o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A recente divulgação dos resultados do Inquérito Nacional de Saúde pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) fez acender sinais de alarme na comunidade médica, com particular impacto na Nefrologia nacional. Indicadores como os 25,6% de hipertensos na população e os 57,1% de adultos com excesso de peso ou obesidade desenham um cenário crítico para o futuro da Saúde Pública. Em entrevista, <strong>Ana Farinha</strong>, membro da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), interpreta estes dados e traduz o impacto direto e severo que os estilos de vida e as patologias crónicas exercem sobre os rins. A especialista deixa avisos sobre os perigos ocultos da automedicação com anti-inflamatórios para as dores lombares e defende, em nome da Sociedade, a implementação de três estratégias nacionais para travar a progressão silenciosa da insuficiência renal em Portugal. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) I O Inquérito Nacional de Saúde revela que um em cada quatro portugueses sofre de hipertensão arterial. Sabendo que a pressão alta é, em simultâneo, uma das principais causas e consequências da doença renal crónica, este indicador funciona como um aviso de que estamos perante uma &#8220;epidemia&#8221; silenciosa de insuficiência renal nas próximas décadas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Farinha (AF) I</strong> Estes dados do INE são um sinal de alarme que não podemos ignorar. A relação entre a hipertensão arterial (HTA) e a doença renal crónica (DRC) é um ciclo vicioso: a HTA lesa progressivamente o património microvascular comprometendo a função renal; por sua vez, a perda de função renal ou a própria doença renal podem ser a causa da própria hipertensão. Portanto sempre que há HTA, há que investigar a função renal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como a DRC é assintomática nas fases iniciais, diagnosticar HTA num em cada quatro portugueses significa que temos uma enorme percentagem da população em risco real de falência renal nas próximas décadas. Se não agirmos hoje na prevenção e no controlo rigoroso da pressão arterial, assistiremos a um aumento insustentável de doentes a necessitar de diálise ou transplante. É, efetivamente, uma epidemia silenciosa em marcha.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Os dados mostram ainda que 57,1% da população adulta em Portugal vive com pré-obesidade ou obesidade. Além de ser o principal trampolim para a diabetes tipo 2 — a causa número um de doentes em diálise —, de que forma é que o excesso de peso, por si só, agride o rim e o obriga a um esforço acrescido?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I</strong> A obesidade e a pré-obesidade não são apenas &#8220;trampolins&#8221; para a diabetes; elas agridem o rim de forma direta e mecânica através de um fenómeno chamado hiperfiltração glomerular. Para responder às exigências metabólicas de um corpo com excesso de peso, os rins são obrigados a trabalhar em &#8220;sobre-esforço&#8221;, filtrando um volume de sangue muito superior ao normal. Este estado de hiperfiltração leva a glomerulosclerose e à consequente perda de nefrónios. Além disso, o tecido adiposo disfuncional liberta mediadores inflamatórios que causam <em>stress </em>oxidativo e lesão direta nas microvasculatura renal. O excesso de peso fustiga o rim, mesmo na ausência de diabetes ou hipertensão, o que se pode traduzir, desde logo, em marcadores como a microalbuminúria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I As dores lombares surgem neste inquérito como a doença crónica mais prevalente em Portugal, afetando quase um terço da população. Enquanto nefrologista, preocupa o facto de haver milhões de portugueses a gerir a dor lombar através da automedicação diária com anti-inflamatórios? Que perigos correm os rins com este hábito?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I </strong>A dor lombar é um dos mitos associados à Nefrologia: muitas vezes atribui-se à doença renal quando, na realidade, traduz, sim, um problema osteomuscular. Por outro lado, representa uma das maiores preocupações da comunidade nefrológica, porque se associa ao consumo crónico e indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) — muitas vezes feito por automedicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os AINEs atuam bloqueando substâncias (prostaglandinas) que ajudam a manter a circulação sanguínea adequada dentro do rim. Ao tomar estes fármacos diariamente, o doente provoca episódios repetidos de isquemia (falta de sangue e oxigénio) no tecido renal. Isto pode resultar numa insuficiência renal aguda ou, a longo prazo, precipitar uma nefropatia por analgésicos — uma forma irreversível de doença renal crónica. É urgente educar a população: a dor crónica deve ser gerida com orientação médica e nunca à custa da saúde dos rins.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I O relatório traça também um cenário cinzento nos estilos de vida: mais de metade dos portugueses não pratica exercício e a maioria não consome legumes diariamente. De que forma o sedentarismo e os erros alimentares (nomeadamente o consumo excessivo de sal) aceleram o envelhecimento precoce dos rins?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I </strong>Os rins sofrem um processo natural de envelhecimento, mas o sedentarismo e os erros alimentares funcionam como aceleradores deste relógio biológico. O consumo excessivo de sal é um dos principais vilões: além de agravar a hipertensão arterial, provoca retenção de água e sobrecarga endotelial, lesando a microcirculação renal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o sedentarismo favorece a rigidez arterial e a acumulação de gordura visceral. Quando combinamos a falta de atividade física com uma dieta pobre em hortícolas (e, logo, pobre em potássio, que ajuda a contrabalançar o efeito do sódio), criamos um ambiente de inflamação crónica e <em>stress </em>vascular. O resultado é o envelhecimento precoce do rim, que perde a sua capacidade de reserva funcional muito antes do esperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Muitas vezes, quando o doente descobre um problema, já está em fases avançadas de falência. Perante este diagnóstico da saúde dos portugueses feito pelo INE, que estratégias urgentes defende para que o rastreio da função renal seja priorizado em Portugal?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I</strong> O diagnóstico tardio é o nosso maior inimigo, mas a solução é simples e de baixo custo. Para inverter este cenário traçado pelo INE, a SPN defende três estratégias urgentes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Rastreio sistemático nos Cuidados de Saúde Primários:</strong> Implementar a obrigatoriedade da avaliação da função renal (através do cálculo da taxa de filtração glomerular pela creatinina no sangue) e da pesquisa de proteínas na urina (rácio albumina/creatinina) em todos os doentes de risco — hipertensos, diabéticos, obesos, doentes com doenças renais familiares, infeciosas crónicas, auto-imunes ou urológicas e pessoas com mais de 60 anos;</li>



<li><strong>Integração de alertas informáticos:</strong> Criar automatismos nos sistemas de prescrição médica que alertem o médico de família quando um doente apresenta critérios de risco ou declínio da função renal;</li>



<li><strong>Literacia em saúde:</strong> Desenvolver campanhas nacionais que ensinem os portugueses a exigir a avaliação dos seus &#8220;números do rim&#8221;, da mesma forma que já fazem com o colesterol ou a glicémia. Salvar os rins dos portugueses exige proatividade na prevenção e diagnóstico precoce.</li>
</ul>
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		<title>Cancro do rim: “A dúvida é se vale a pena intensificar a terapêutica” perante um prognóstico positivo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 14:14:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tratamento do cancro do rim enfrenta um debate quando o foco recai sobre o grupo de risco favorável. Por apresentarem um prognóstico muito positivo e uma sobrevivência longa, surge o dilema sobre a necessidade de intensificar o tratamento com combinações terapêuticas que, embora eficazes, trazem consigo uma toxicidade acrescida. Para&#160;André Mansinho, especialista em Oncologia [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O tratamento do cancro do rim enfrenta um debate quando o foco recai sobre o grupo de risco favorável. Por apresentarem um prognóstico muito positivo e uma sobrevivência longa, surge o dilema sobre a necessidade de intensificar o tratamento com combinações terapêuticas que, embora eficazes, trazem consigo uma toxicidade acrescida. Para&nbsp;<strong>André Mansinho</strong>, especialista em Oncologia na ULS Santa Maria, a discussão centra-se em perceber se o benefício imediato justifica o impacto na qualidade de vida de doentes que podem ter uma evolução lenta da patologia. Assista à entrevista.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Cancro do rim: “A dúvida é se vale a pena intensificar a terapêutica” perante um prognóstico muito positivo" src="https://player.vimeo.com/video/1184351511?h=341825e8e8&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph">O especialista participou nos Encontros da Primavera 2026, com o tema “Doença Metastática de baixo risco: estratégia terapêutica” e refletiu que “a dúvida é se vale a pena ou não intensificar a terapêutica ou se vale a pena fazer monoterapia”, uma vez que “devemos adaptar a terapêutica que temos a cada doente”, defende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as combinações demonstrem resultados superiores em termos de taxa de resposta e sobrevivência livre de progressão, a ausência de dados robustos sobre a sobrevivência global neste subgrupo específico mantém a questão em aberto. Para a maioria, a sinergia das novas terapias parece ser a melhor abordagem, mas a consistência dos dados ainda é limitada pelo tamanho reduzido das amostras e pelo tempo de acompanhamento insuficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia futura passa pela identificação precisa de subtipos que possam beneficiar de abordagens distintas. Para alguns doentes, a vigilância ativa seguida de monoterapia com inibidores da tirosina quinase (TKI) na progressão da doença continua a ser uma opção válida. O objetivo final é encontrar o equilíbrio entre a eficácia máxima e a preservação do bem-estar, garantindo que a intervenção médica é tão agressiva quanto necessário, mas tão conservadora quanto possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Encontros da Primavera 2026 decorrem de 15 a 18 de abril, em Évora.</p>
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		<title>Dia Nacional da Diálise: Iniciativa pretende aumentar literacia sobre doença renal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 13:01:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A criação do Dia Nacional da Diálise, proposto para 23 de setembro, visa colocar a doença renal crónica no centro do debate da Saúde Pública em Portugal e aumentar a literacia da população sobre a patologia. A iniciativa pretende humanizar o impacto social da doença e alertar para a necessidade de estratégias que travem a [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A criação do Dia Nacional da Diálise, proposto para 23 de setembro, visa colocar a doença renal crónica no centro do debate da Saúde Pública em Portugal e aumentar a literacia da população sobre a patologia. A iniciativa pretende humanizar o impacto social da doença e alertar para a necessidade de estratégias que travem a progressão de causas primárias, como a diabetes e a hipertensão arterial. Através da promoção da equidade no acesso aos cuidados e do incentivo à prevenção, esta data busca reduzir a pressão sobre os centros especializados que asseguram o tratamento a mais de 90% dos doentes renais no país. António Neves, secretário-geral da ANADIAL, esclarece as vantagens desta petição. Leia a entrevista:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NewsFarma (NF) I Para contexto, qual é o simbolismo por trás da escolha desta data (23 set) para o Dia Nacional da Diálise?  </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>António Neves (AN) I</strong> O dia 23 de setembro situa-se entre o Dia Mundial da Segurança do Doente (17 de setembro) e o Dia Mundial do Coração (29 de setembro), colocando a Doença Renal Crónica e a diálise onde devem estar: no centro das grandes batalhas da saúde pública. É atestar que, após o período tradicional de férias, quando as escolas reabrem, as famílias retomam rotinas, o país retoma o seu ritmo e também retoma o compromisso com quem nunca parou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I</strong> <strong>De que forma a criação de um dia dedicado pode ajudar a retirar a diálise da &#8220;sombra&#8221; e combater o estigma ou o medo associado ao tratamento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AN I</strong> A criação de um dia dedicado permitirá aumentar a literacia: trazer a público o que é a diálise — a terapêutica que substitui os rins quando estes falham. Falar abertamente sobre as causas, pelo que é uma oportunidade para discutir a diabetes e a hipertensão, as principais causas da doença. Mas também permitirá humanizar o impacto, mostrar o real impacto económico e social que a doença acarreta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I A SPN aponta para 1 milhão de portugueses com DRC. Como é que este número se traduz na pressão diária sobre os centros de diálise, considerando que até se considera uma doença subdiagnosticada?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AN I</strong> Apesar desse número elevado da doença, no estádio 5 (nível em que os doentes perderam a capacidade inerente à função renal), apenas 13 mil doentes necessitam de diálise. Os Centros de Diálise existentes dão resposta plena e total às necessidades da população. Na realidade, os maiores desafios surgem ao nível dos recursos humanos (os Centros não são imunes à escassez que se vive), e aos efeitos de um valor de pagamento cristalizado durante 18 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I A OMS alerta que a DRC poderá ser a 5.ª causa de morte global em 2040. Portugal está a fazer o suficiente no &#8220;terreno&#8221; para evitar que esta previsão se concretize?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AN I</strong> Na realidade, os números da Doença em Portugal têm mantido alguma estabilidade, sendo certo que se verificou uma ligeira redução no número de doentes que iniciaram diálise em 2025 face ao ano de 2024. Neste momento, parece-nos difícil associar a uma ação ou causa tal redução. Acreditamos que a prevenção e a literacia serão um dos caminhos para a solução. Outro caminho relevante seria apostar na pré-diálise, uma vez que existem doentes renais crónicos que acabam por falecer antes de iniciarem o tratamento. É uma área pouco desenvolvida, em que os Centros existentes, pela sua capilaridade e proximidade, poderiam intervir de modo determinante no diagnóstico precoce da doença. No entanto, reforça-se que &#8220;está nas nossas mãos&#8221; evitar a previsão da OMS, sendo necessário insistir na prevenção da diabetes e hipertensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Sendo a ANADIAL responsável pelo tratamento de mais de 90% dos doentes renais, que lacunas identificam no diagnóstico atempado que levam tantos doentes a necessitar de diálise?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AN I </strong>As principais falhas identificadas que impedem o diagnóstico precoce (que poderia ser feito com simples análises de sangue e urina) são: a falta de Médicos de Família, pois uma percentagem importante de doentes não têm médico atribuído. Acresce que a população mais desfavorecida tem maior dificuldade no acesso a cuidados de saúde e uma baixa literacia. Infelizmente, a população portuguesa continua a desconhecer verdadeiramente a doença. A este propósito, a ANADIAL, em 2025, desenvolveu um Estudo de perceção que evidenciou a falta de conhecimento e de sensibilidade da população, pelo que esta situação tenderá a manter-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I O tratamento consome muito tempo e energia do doente e da família. Como pode este novo Dia Nacional impulsionar políticas que melhorem a conciliação da diálise com a vida profissional e pessoal?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AN I </strong>O Dia Nacional pode impulsionar políticas ao destacar as dificuldades atuais, o desgaste e a dependência. O tratamento de hemodiálise exige deslocações, em média, 3 vezes por semana, com sessões de 4 horas. A sobrecarga logística, pois, além do tratamento, há o tempo de transporte e espera, que afeta o doente e a família. A data pode promover a discussão sobre a diálise assistida e a realocação de gastos de transporte para o pagamento de cuidadores, facilitando a permanência do doente em casa. Nesses casos, a conciliação da diálise com a vida profissional e pessoal seguramente aumentará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Para finalizar, existem assimetrias regionais no acesso a cuidados de diálise de qualidade em Portugal. Como é que esta iniciativa pode promover uma maior equidade?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos afirmar que a qualidade da diálise em Portugal é reconhecida internacionalmente como das melhores a nível mundial. De acordo com a Entidade Reguladora da Saúde, o tempo médio de distância dos doentes a um Centro é pouco mais do que 16 minutos, o que nos leva a concluir que as assimetrias em Portugal são relativamente baixas, ainda que os centros mais populosos tenham mais oferta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta iniciativa pode promover a equidade ao expor algumas desigualdades de acesso nas zonas mais isoladas, pois não é economicamente viável nem há recursos humanos para ter unidades em zonas remotas. Poderá contribuir para um aumento dos tratamentos domiciliários através da sensibilização para a necessidade de adaptar o sistema de pagamento da diálise que atualmente não diferencia o tratamento feito em casa ou em unidade, e, eventualmente, para apoiar os cuidadores que também acompanham e sofrem as exigências da doença.</p>
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		<title>Dia Mundial do Rim: APIR reforça a literacia sobre doença renal crónica para travar o avanço desta epidemia silenciosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 17:09:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com cerca de um milhão de portugueses afetados pela “epidemia silenciosa” da doença renal crónica (DRC), o papel das associações de doentes nunca foi tão vital. Em entrevista a propósito do Dia Mundial do Rim, Marta Campos, coordenadora da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), explica como a instituição atua como um braço amigo que [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Com cerca de um milhão de portugueses afetados pela “epidemia silenciosa” da doença renal crónica (DRC), o papel das associações de doentes nunca foi tão vital. Em entrevista a propósito do Dia Mundial do Rim, <strong>Marta Campos</strong>, coordenadora da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), explica como a instituição atua como um braço amigo que complementa o Serviço Nacional de Saúde (SNS), oferecendo suporte a quem vê a vida transformada pelo diagnóstico. Entre a advocacia pelos direitos dos doentes e iniciativas de literacia através do humor, a APIR garante que, no exigente caminho da insuficiência renal, nenhum doente ou familiar tenha de caminhar sozinho. Assista ao vídeo.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Afetando cerca de um milhão de portugueses, a DRC permanece uma &#8220;epidemia silenciosa&#8221; devido à sua natureza assintomática. Com quase 14 mil pessoas em hemodiálise no final de 2023 — um número que não para de crescer — a urgência do diagnóstico precoce nunca foi tão crítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que está a faltar neste momento é uma identificação precoce; a doença em si é assintomática nas fases iniciais&#8221;, explica Marta Campos. Quando os sintomas surgem, como o cansaço ou a falta de apetite, são muitas vezes inespecíficos e confundidos com outras situações, o que atrasa a procura de ajuda médica. O diagnóstico atempado, através de análises regulares à função renal, é a única forma de &#8220;retardar a entrada em diálise ou em tratamento de substituição&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O impacto do tratamento substitutivo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os anos, cerca de 2 500 novos portugueses iniciam tratamentos de substituição. Para quem entra em hemodiálise, a rotina de quatro horas de tratamento, três vezes por semana, impõe uma carga física e emocional imensa. &#8220;Entrar em diálise tem diversos custos, consome muito tempo e muita energia, quer a nível pessoal, quer para a sociedade&#8221;, refere a coordenadora, sublinhando que a vida profissional e familiar fica profundamente condicionada. Mais do que uma questão individual, a DRC é uma &#8220;doença de solidariedade&#8221;, onde também os cuidadores e familiares acabam por ter a sua organização pessoal dependente do tratamento do seu familiar. Marta Campos reforça que o transplante, embora desejado, não é uma cura definitiva: &#8220;Está muito longe de ser uma cura, pois continua a ser um tratamento de substituição, com riscos e efeitos secundários próprios&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>APIR: a caminhar para meio século de apoio&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Prestes a comemorar o seu 48.º aniversário, a APIR nasceu da luta de doentes que, nos anos 70, tinham de viajar para Espanha para ter acesso a tratamentos. Ao longo dos anos, o foco mantém-se no apoio informativo e social. &#8220;Muitas vezes, quando o médico diz que vão ter de iniciar diálise, o cérebro começa a entrar em curto-circuito e já não se lembram de mais nada da consulta&#8221;, relata Marta Campos. É aqui que a APIR intervém, esclarecendo direitos, oferecendo consultas de Nutrição e Psicologia, e criando uma comunidade onde ninguém se sente sozinho. &#8220;Complementamos o papel das equipas de saúde, e sentimos que somos um braço amigo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O humor como alavanca para a prevenção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este ano, para assinalar o Dia Mundial do Rim, a APIR decidiu criar o <em>talkshow</em> de comédia <em>“</em>Rim para a Meia-Noite<em>”</em>. Embora reconheça que nem todos conseguem rir da própria condição, a coordenadora acredita que esta abordagem leve e desconstruída é vital para o grande público. &#8220;O objetivo é que as pessoas saiam do espetáculo com alguma mensagem, que vão ao médico de família pedir as tais análises regulares&#8221;. Numa era em que a ciência permite viver mais tempo com doenças crónicas, o sistema de saúde precisa de recuperar o fôlego através da prevenção. A entrevista conclui reforçando que o início da vigilância renal não exige exames complexos, apenas proatividade.<br></p>
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		<title>Doença renal crónica: a complicação silenciosa da diabetes que continua fora do radar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 15:22:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A doença renal crónica (DRC) é hoje um dos maiores desafios de Saúde Pública a nível global, e Portugal lidera na Europa com a maior incidência e prevalência, com muitos casos ainda por diagnosticar. Segundo João Ramos, especialista em Medicina Geral e Familiar na ULS de Santa Maria e coordenador da Unidade de Saúde Familiar [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A doença renal crónica (DRC) é hoje um dos maiores desafios de Saúde Pública a nível global, e Portugal lidera na Europa com a maior incidência e prevalência, com muitos casos ainda por diagnosticar. Segundo <strong>João Ramos</strong>, especialista em Medicina Geral e Familiar na ULS de Santa Maria e coordenador da Unidade de Saúde Familiar CarnideQuer, esta realidade está ligada à própria natureza da doença, que “normalmente evolui de forma assintomática”. Como explica, “é muito fácil a pessoa progredir para estádios que já preenchem critérios de DRC sem que haja qualquer tipo de sintoma ou até de sinal associado”. Leia a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso das pessoas com diabetes, este problema torna-se ainda mais relevante. O especialista refere que “a relação que as pessoas ainda vão estabelecendo com a diabetes é uma relação de grande afinidade com a questão do açúcar”, levando muitos doentes a associar a doença apenas ao controlo glicémico e a desvalorizar outras possíveis complicações, como a patologia renal. Como explica, no contexto da diabetes, “as pessoas contactam com a questão da visão, as feridas, [&#8230;] finalmente a questão das amputações e do rim”. Ainda assim, acrescenta, a ligação ao rim surge sobretudo em fases mais avançadas pois “algumas pessoas fazem a ponte para o rim [&#8230;] [mas] por casos de hemodiálise, não tanto pelo conhecimento da patologia”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator que historicamente contribuiu para a menor atenção dada à doença foi a escassez de opções terapêuticas. Como explica o médico de família, “durante muito tempo, nós não tínhamos nada para oferecer”, o que fez com que “durante muitos anos esta situação estivesse estagnada, não fosse muito procurada nem muito debatida”. Além disso, “as campanhas associadas à diabetes falam [sobretudo] no controlo do açúcar, vão falando agora cada vez mais no coração e agora ainda mais recentemente, no rim. Mas, efetivamente, até há relativamente pouco tempo, não havia este cuidado do ponto de vista das campanhas, das entidades e das instituições. Portanto, eu direi que este é o cenário que faz com que esta situação evolua de forma mais ou menos silenciosa”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, porém, a abordagem clínica tem vindo a evoluir, sobretudo pela maior consciência da importância da deteção precoce. O diagnóstico da DRC baseia-se essencialmente em dois parâmetros laboratoriais, entre os quais, a “creatinina no sangue que permite calcular a taxa de filtração glomerular” e a “relação albumina-creatinina” na urina. Segundo o especialista, “é com estes dois parâmetros […] que nós vamos ver se temos ou não critérios para o diagnóstico de DRC”, em caso de alteração destes parâmetros, deve ser pedida nova repetição ao fim de três meses. Em caso de não haver alterações, o especialista recomenda uma avaliação anual dado que a medição regular destes indicadores permite identificar a doença em fases iniciais e acompanhar a sua progressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância do diagnóstico precoce está diretamente relacionada com a possibilidade de retardar a evolução da doença. Embora a DRC não tenha cura, intervenções adequadas podem atrasar significativamente a sua progressão e reduzir o risco de complicações graves. Como explica o médico de família, a intervenção terapêutica tem dois grandes objetivos que consistem em “retardar a velocidade com que a doença renal progride” e “diminuir a probabilidade de morte por causa cardiovascular”. Na realidade, muitos doentes com DRC enfrentam um risco elevado de complicações cardíacas, sendo que “a esmagadora maioria dos doentes com doença renal tem mais probabilidade de vir a ter um evento cardiovascular do que de progredir para doença renal terminal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, a prevenção da progressão da doença assume particular relevância, sobretudo para evitar ou adiar a fase terminal da DRC. Perante este cenário, torna-se fundamental reforçar o diagnóstico precoce e a vigilância clínica, sobretudo em pessoas com fatores de risco. João Ramos defende que a principal estratégia passa por identificar ativamente os doentes em risco e promover a avaliação regular da função renal. Como resume, “temos de ter presente quais são os fatores de risco major para doença renal”, incluindo condições metabólicas e cardiovasculares, e a partir daí, “perante os fatores de risco, há que procurar doença renal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, apesar de continuar a ser uma doença silenciosa e frequentemente subdiagnosticada, a DRC pode ser melhor controlada através de diagnóstico precoce, monitorização adequada e maior sensibilização clínica e pública.&nbsp;</p>
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		<title>“Epidemia silenciosa”: vice-presidente da SPN alerta para a urgência de diagnosticar a doença renal atempadamente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 12:27:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Portugal, a doença renal crónica (DRC) afeta cerca de um milhão de pessoas, mas a sua natureza assintomática faz com que muitos diagnósticos cheguem apenas quando a função renal está severamente comprometida. Em entrevista a propósito do Dia Mundial do Rim, Ana Farinha, nefrologista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), analisa o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, a doença renal crónica (DRC) afeta cerca de um milhão de pessoas, mas a sua natureza assintomática faz com que muitos diagnósticos cheguem apenas quando a função renal está severamente comprometida. Em entrevista a propósito do <strong>Dia Mundial do Rim</strong>, <strong>Ana Farinha</strong>, nefrologista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), analisa o crescimento de 1,6% no número de doentes em hemodiálise e aponta a articulação com os Cuidados de Saúde Primários como o pilar fundamental para inverter esta tendência. Para a especialista, o futuro da área passa por uma abordagem holística do doente metabólico, pela utilização de novas terapêuticas nefroprotetoras e por estratégias de literacia inovadoras — incluindo o uso do humor — para desmistificar aquela que é considerada a &#8220;epidemia silenciosa&#8221; do século XXI.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) I Porque é o diagnóstico precoce da DRC é tão difícil de alcançar clinicamente?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Farinha (AF) I</strong> A doença renal crónica é apelidada de &#8220;epidemia silenciosa&#8221; precisamente pela sua natureza assintomática nas fases iniciais. Os rins têm uma enorme capacidade de reserva e adaptação, o que significa que o doente raramente apresenta sintomas até que a função renal esteja severamente comprometida. Clinicamente, isto exige um elevado índice de suspeição e a realização de exames laboratoriais de rotina, pois confiar apenas na sintomatologia física atrasa inevitavelmente o diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Portugal fechou 2023 com quase 14 mil doentes em hemodiálise (aumento de 1,6%). Como interpreta este crescimento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I </strong>Estes números refletem um desafio crescente no controlo da progressão da doença. O aumento de 1,6% face ao ano anterior indica que, apesar dos avanços terapêuticos, continuamos a falhar na prevenção primária e na deteção precoce. Este crescimento é também um reflexo do envelhecimento da população e da prevalência de comorbilidades, sugerindo que as estratégias de monitorização e intervenção precoce precisam de ser mais robustas para evitar que os doentes atinjam o estádio de falência renal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I A diabetes, hipertensão e obesidade são as grandes causas. O que falta fazer, na multidisciplinaridade, para reduzir estas percentagens?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I </strong>Embora as campanhas de sensibilização sejam anuais, a transição para a prática clínica multidisciplinar ainda carece de maior integração. É fundamental que o médico de família, o internista, o endocrinologista e o cardiologista trabalhem em simbiose com o nefrologista. Precisamos de programas de gestão de doença partilhados, onde o foco não seja apenas o órgão isolado, mas o perfil metabólico e cardiovascular do doente, otimizando a literacia e o acesso a novas terapêuticas nefroprotetoras de forma transversal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Como pode a integração dos Cuidados de Saúde Primários podem ajudar o nefrologista?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I</strong> A integração dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) é um pilar fundamental para transformar a gestão da doença renal crónica (DRC) em Portugal, permitindo um diagnóstico precoce e intervenção atempada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como a DRC é frequentemente assintomática nas fases iniciais — a chamada &#8220;epidemia silenciosa&#8221; — cabe aos CSP realizar o rastreio sistemático através de exames simples, como a análise da creatinina e da urina. Esta vigilância permite ao nefrologista receber doentes em estadios mais precoces da doença, onde as intervenções terapêuticas são significativamente mais eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isto é verdade para doenças raras como as glomerulopatias, onde a competência para o tratamento é essencialmente da Nefrologia mas também para o tratamento integrado das causas mais comuns de DRC, a diabetes (32,5%) e hipertensão. Esta colaboração permite:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Um controlo mais rigoroso da glicémia e da pressão arterial no dia a dia do doente;</li>



<li>A aplicação de novas terapêuticas nefroprotetoras antes que ocorra a falência renal;</li>



<li>A melhoria da literacia em saúde, utilizando canais de comunicação mais próximos e até abordagens criativas para desmistificar a função renal.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A articulação com os CSP é vital para inverter esta tendência para o aumento dos doentes sob terapias substitutivas da função renal. Ao tratar as causas e travar a progressão da doença a nível primário, reduz-se a necessidade destas terapias pesadas e dispendiosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Como vê a utilização do humor (ex: &#8220;Rim para a meia-noite&#8221;) para transmitir conceitos de literacia médica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I</strong> Quem lida com doenças crónicas sabe que muitas vezes o humor é o melhor remédio! A função renal e a DRC são temas densos e, muitas vezes, assustadores para o público em geral. Iniciativas como o <em>talkshow </em>da APIR com o António Machado e o Eduardo Madeira ajudam a desmistificar a doença e a baixar as barreiras de comunicação. O humor permite que a mensagem de prevenção chegue a mais pessoas de forma leve, tornando a literacia médica acessível e memorável, o que é meio caminho andado para a mudança de comportamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Qual a mensagem para os colegas de especialidade, especialmente os mais jovens, neste Dia Mundial do Rim?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AF I</strong> A mensagem é de resiliência e inovação. Aos colegas mais jovens, recordo que a Nefrologia portuguesa é de excelência, mas enfrenta o desafio de uma prevalência crescente. Olhem para o doente de forma holística e não apenas para os valores da creatinina. Estamos numa era de novas opções terapêuticas que mudam o curso da doença; aproveitem esse potencial para serem agentes ativos na prevenção e no acompanhamento próximo, garantindo que o futuro da nefrologia em Portugal continue a ser uma referência.</p>
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		<title>O novo paradigma da intervenção precoce na doença renal crónica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 16:15:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante o XXV Simpósio de Atualização em Nefrologia, a especialista Patrícia Matias, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Lisboa Ocidental, destacou a transformação profunda no tratamento da doença renal crónica (DRC). A nefrologista enfatizou como a evolução dos fármacos e a reorganização das unidades de saúde estão a permitir abandonar abordagens tardias em favor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Durante o XXV Simpósio de Atualização em Nefrologia, a especialista <strong>Patrícia Matias</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Lisboa Ocidental, destacou a transformação profunda no tratamento da doença renal crónica (DRC). A nefrologista enfatizou como a evolução dos fármacos e a reorganização das unidades de saúde estão a permitir abandonar abordagens tardias em favor de uma Medicina mais proativa, individualizada e focada em retardar a progressão da patologia. Assista à entrevista.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="02_PATRÍCIA MATIAS" src="https://player.vimeo.com/video/1172142792?h=a4bbe71cb8&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A sessão focou-se na &#8220;alteração de paradigma&#8221; impulsionada por novas armas terapêuticas que se juntam aos tratamentos clássicos (como os IECA e ARA). Patrícia Matias realçou a introdução dos inibidores de SGLT2 e dos antagonistas dos recetores dos mineralocorticoides não esteroides como pilares que aumentam a panóplia médica para prevenir a falência renal. De acordo com a especialista, o futuro reserva ainda mais opções terapêuticas que estão atualmente em estudo, prometendo reforçar a capacidade de travar a evolução da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da inovação farmacológica, a médica sublinhou que a base do sucesso reside na literacia em saúde e no controlo rigoroso de fatores de risco como a hipertensão, diabetes e obesidade. Patrícia Matias defendeu que a articulação entre os cuidados hospitalares e os cuidados de saúde primários, facilitada pelo modelo das ULS, é crucial para dar ferramentas aos médicos de Medicina Geral e Familiar. Este esforço conjunto visa não só um diagnóstico mais atempado, mas também a promoção de hábitos de vida saudáveis e do exercício físico em toda a sociedade.</p>
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		<title>Doença renal crónica: o desafio do diagnóstico precoce e o impacto das novas terapêuticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 16:13:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do XXV Simpósio de Atualização em Nefrologia, a especialista Rita Calça, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Lisboa Ocidental, destacou a elevada prevalência da doença renal crónica e a urgência de novas armas terapêuticas. Na sua intervenção, a médica sublinhou a importância das Unidades Locais de Saúde como ponte fundamental para melhorar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do XXV Simpósio de Atualização em Nefrologia, a especialista <strong>Rita Calça</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Lisboa Ocidental, destacou a elevada prevalência da doença renal crónica e a urgência de novas armas terapêuticas. Na sua intervenção, a médica sublinhou a importância das Unidades Locais de Saúde como ponte fundamental para melhorar o diagnóstico nos Cuidados de Saúde Primários e garantir um tratamento atempado. Veja o vídeo.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="01_RITA CALÇA" src="https://player.vimeo.com/video/1172142908?h=f3b204450e&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos centrais da entrevista foi o reconhecimento de que a doença permanece subdiagnosticada, acarretando custos elevados para os sistemas de saúde. Rita Calça enfatizou que o surgimento de novas moléculas, como os inibidores de SGLT2 (SGLT2i), abriu caminho para tratamentos mais eficazes que visam atrasar a progressão da patologia e evitar a chegada à diálise. Segundo a especialista, o futuro dos doentes depende da capacidade de escolher a terapêutica que mais beneficia cada perfil individual, promovendo uma melhor qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que estes avanços cheguem efetivamente aos doentes, a nefrologista defende uma colaboração mais estreita entre hospitais e centros de saúde. Rita Calça sugere que os especialistas saiam do ambiente hospitalar para promover a literacia junto dos cuidados de saúde primários, facilitando o reconhecimento precoce da doença. &#8220;Só se nós reconhecermos que existe doença é que vamos começar o tratamento&#8221;, afirmou, reiterando que o trabalho conjunto é a base para reduzir o impacto desta condição na população.</p>
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		<title>Vasculites com envolvimento renal: o Reuma.pt como ponte entre Reumatologia e Nefrologia em Portugal </title>
		<link>https://mynefrologia.pt/entrevistas/vasculites-com-envolvimento-renal-o-reuma-pt-como-ponte-entre-reumatologia-e-nefrologia-em-portugal/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 17:20:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cristina Ponte, reumatologista da ULS de Santa Maria, destaca o impacto de um estudo multinacional sobre vasculites sistémicas assente no registo português Reuma.pt, desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia, em colaboração com centros do Brasil. Para a especialista, este trabalho ganha particular relevância quando analisado à luz do frequente envolvimento renal nas vasculites de pequenos vasos e da [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cristina Ponte</strong>, reumatologista da ULS de Santa Maria, destaca o impacto de um estudo multinacional sobre vasculites sistémicas assente no registo português Reuma.pt, desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia, em colaboração com centros do Brasil. Para a especialista, este trabalho ganha particular relevância quando analisado à luz do frequente envolvimento renal nas vasculites de pequenos vasos e da necessidade crescente de uma articulação estruturada entre Reumatologia e Nefrologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos achados mais relevantes foi a identificação de diferenças regionais nas vasculites de pequenos vasos, entidades frequentemente associadas a compromisso renal. “No Brasil, a frequência de poliangiite microscópica era muito reduzida, ao passo que em Portugal observávamos uma proporção superior de casos.” Para a especialista, estas variações apenas se tornam evidentes através do registo sistemático, uma vez que “só mesmo registando os doentes é que conseguimos captar estas diferenças”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O envolvimento renal surge como um dos eixos centrais da análise. Na ULS de Santa Maria, existe “uma colaboração muito próxima com a Nefrologia”, dado que, na presença de atingimento renal, a abordagem é frequentemente partilhada entre especialidades. Esta experiência motivou também a evolução do próprio registo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Reuma.pt está atualmente a ser atualizado para integrar <em>outcomes</em> renais mais detalhados, como a necessidade de diálise ou de transplante renal. Para Cristina Ponte, esta atualização reflete a natureza transversal destas patologias, uma vez que “as vasculites são patologias transversais a várias especialidades”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a especialista, este estudo evidenciou igualmente a importância de expandir a participação da Nefrologia a nível nacional, considerando que, nesta análise, apenas o Serviço de Nefrologia da ULS Santa Maria esteve representado, com a coordenação de Estela Nogueira. O alargamento do registo aos restantes centros nefrológicos permitirá caracterizar de forma mais completa o impacto renal das vasculites, incluindo evolução funcional, necessidade de terapêutica substitutiva e prognóstico a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristina Ponte reforça ainda o valor do registo na prática clínica diária, salientando que “registar os doentes também nos ensina como tratar bem estes doentes”. Destaca a integração de instrumentos como o <em>Birmingham Vasculitis Activity Score</em> e o <em>Vasculitis Damage Index</em>, essenciais para monitorizar a atividade e o dano acumulado, sublinhando que, além do valor científico, “temos um melhor registo da evolução da doença”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além dos ganhos científicos, o registo tem impacto direto na prática clínica e na gestão hospitalar. “É uma win win situation, quer académica, quer de gestão hospitalar, mas particularmente para os doentes.” Permite conhecer o número real de casos, planear recursos, justificar terapêuticas de elevado custo e reduzir o sentimento de isolamento frequentemente relatado por quem vive com uma doença rara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mensagem final aos colegas, deixa um apelo claro: “As vasculites andam aí […] e é fundamental pensar nelas”. Cristina Ponte reforça que a produção de evidência científica e o registo sistemático são determinantes para o diagnóstico atempado e para uma abordagem multidisciplinar mais eficaz, concluindo que este trabalho constitui “um retrato das vasculites em Portugal e no Brasil” e que uma integração mais ampla da Nefrologia permitirá uma compreensão ainda mais completa destas doenças, com impacto direto no diagnóstico, monitorização e prognóstico renal dos doentes.</p>
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		<title>Biópsia óssea: essencial para decisões terapêuticas personalizadas na doença óssea metabólica em doentes com DRC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 15:37:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A doença óssea metabólica em doentes com doença renal crónica (DRC) avançada exige uma avaliação precisa para orientar decisões terapêuticas.&#160;Luciano Pereira, nefrologista na Clínica do Rim e coautor do estudo “The role of bone histomorphometry in the management of metabolic bone disease”, explica como a biópsia óssea continua a ser essencial na prática clínica, permitindo [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A doença óssea metabólica em doentes com doença renal crónica (DRC) avançada exige uma avaliação precisa para orientar decisões terapêuticas.&nbsp;<strong>Luciano Pereira</strong>, nefrologista na Clínica do Rim e coautor do estudo “The role of bone histomorphometry in the management of metabolic bone disease”, explica como a biópsia óssea continua a ser essencial na prática clínica, permitindo tratamentos mais personalizados e seguros. Leia a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) | Quais foram os principais resultados obtidos neste estudo e de que forma reforçam a relevância da biópsia óssea na prática clínica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Luciano Pereira (LP) |</strong>&nbsp;Neste trabalho, reportamos o resultado de biópsias ósseas realizadas para avaliação de doença óssea metabólica, solicitadas pelo reumatologista assistente do doente. Foram realizadas 20 biópsias ósseas e as principais indicações para a realização da biópsia foram: fratura de fragilidade em doente com doença renal crónica (DRC) grau 4 ou 5, seguido da suspeita de osteomalacia. O padrão histológico mais frequentemente diagnosticado foi o osso adinâmico, seguido de osteomalacia. De realçar que a biópsia óssea levou a uma alteração de estratégia terapêutica num terço dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Em que medida os resultados da histomorfometria óssea levaram a mudanças na estratégia terapêutica, distintas do tratamento antiosteoporótico convencional?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LP |</strong>&nbsp;O grupo de doentes com diagnóstico histológico de osso adinâmico representa um exemplo paradigmático. Dos nove doentes com osso adinâmico, oito doentes viram a sua estratégia terapêutica alterada: num dos casos foi interrompido o tratamento com denosumab, que a longo prazo, neste caso em particular, teria sido prejudicial dada a baixa formação e remodelação óssea existentes; nos restantes, foi modificada a prescrição destinada ao tratamento do hiperparatiroidismo secundário, o que incluiu redução ou suspensão do tratamento com vitamina D ativa e/ou da suplementação com cálcio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Que implicações este estudo tem para a prática clínica dos reumatologistas, nomeadamente na valorização da biópsia óssea face a métodos de diagnóstico não invasivos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LP |</strong>&nbsp;A biópsia óssea continua a ser o método&nbsp;<em>gold standard</em>&nbsp;para a avaliação da osteodistrofia renal. Os resultados deste estudo demonstram que este procedimento é particularmente relevante em doentes com DRC em estadio 4 ou 5 que apresentem fraturas de fragilidade, dado que se verificou uma elevada proporção de casos em que o resultado da biópsia conduziu a alterações significativas na atitude terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto da DRC, as alterações ósseas englobam não apenas modificações do volume, mas também da remodelação e da mineralização ósseas. Os métodos diagnósticos não invasivos apresentam limitações relevantes na caracterização destas dimensões. A densitometria óssea permite avaliar o volume e estimar o risco de fratura, mas não fornece informação sobre a dinâmica da remodelação nem sobre a mineralização. Os marcadores séricos de remodelação óssea, por sua vez, têm sensibilidade e especificidade limitadas, e a sua interpretação é particularmente difícil em estádios avançados de DRC.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste grupo de doentes, os valores alvo de paratormona (PTH) — um dos principais determinantes da remodelação óssea — permanecem pouco definidos, o que limita a sua utilidade isolada como guia terapêutico. Acresce que não existe, até ao momento, qualquer marcador sérico específico para o diagnóstico de defeitos de mineralização. Assim, embora a suspeita clínica possa ser apoiada por métodos de imagem ou outros parâmetros laboratoriais, o diagnóstico definitivo das alterações da mineralização necessita muitas vezes da realização de uma biópsia óssea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Como é que a identificação precoce de padrões histopatológicos pode contribuir para uma abordagem mais personalizada e eficaz no tratamento da doença óssea metabólica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>LP |</strong>&nbsp;Vamos a um exemplo prático. Vamos imaginar um doente renal crónico G4A3 com TFGe pelo CKD-EPI de 27 mL/min que tem uma fratura de fragilidade do colo do fémur. A densitometria óssea é compatível com osteoporose, os marcadores de turnover como P1NP estão normais e o doente apresenta PTHi de 130 pg/mL. Estamos confiantes em prescrever denosumab ou bifosfonatos para este doente? Os riscos dos bifosfonatos estão mal explorados e consideram-se geralmente contra-indicados quando a taxa de filtração glomerular é inferior a 30 mL/min. O denosumab não tem contraindicação na insuficiência renal avançada, mas será o melhor medicamento a prescrever? E se o doente tem osso adinâmico, a forma mais frequente de osteodistrofia renal na DRC estadio 3 e em alguns trabalhos no estadio 4? Há algum valor de PTH ou dos marcadores de turnover ósseo na DRC estadio 4 e 5 que nos consiga excluir osso adinâmico?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico atempado da alteração óssea subjacente permite efetuar o tratamento mais adequado, protegendo a saúde óssea do doente renal e, teoricamente, diminuindo o risco de fratura.</p>
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